26/09/2017

Identificada nova espécie de ave dos Açores provavelmente extinta pelo homem


Uma nova espécie de ave, já extinta, foi recentemente encontrada e identificada no arquipélago dos Açores. Esta nova espécie, denominada como Priolo-grande (Pyrrhula crassa †), vivia pelo menos na ilha Graciosa, onde foram agora encontrados vários dos seus restos ósseos preservados no interior duma gruta vulcânica.




Esta nova espécie pertence ao mesmo género que o Priolo (Pyrrhula murina), espécie da qual apenas sobrevive uma reduzida população, grandemente ameaçada, no leste da ilha de São Miguel, dentro do mesmo arquipélago. E também que o Dom-fafe (Pyrrhula pyrrhula), ave amplamente distribuída pelo continente europeu e asiático.

O Priolo-grande tinha no entanto um tamanho maior do que os seus parentes, como revela o maior comprimento dos restos ósseos encontrados. Mas desconhece-se qual seria, na realidade, a cor das suas penas e o seu aspecto externo.

A desaparição ou extinção desta espécie endémica dos Açores parece coincidir com a chegada dos colonizadores portugueses ao arquipélago. E também com a desaparição de outras quatro aves endémicas: três frangos-d'água (Rallus carvaoensis, R. montivagorum e R. nanus) e um mocho (Otus frutuosoi), dos quais foram igualmente encontrados restos ósseos em várias ilhas dos Açores.

A desaparição destas espécies é portanto muito provavelmente devida à chegada do homem aos Açores, que teve como consequência a destruição de muitos dos habitats originais. E também a introdução nas ilhas de diferentes espécies exóticas invasoras, como gatos ou ratos, que são responsáveis pela maioria das extinções acontecidas em ilhas oceânicas de todo o mundo. Os gatos, por exemplo, são responsáveis pela desaparição de 22 aves, nove mamíferos e dois répteis em diferentes ilhas oceânicas, um 14% do total mundial das extinções de vertebrados.

Com o descobrimento destas espécies ficamos com uma ideia melhor e mais completa sobre o que era a autêntica riqueza e biodiversidade destas ilhas, infelizmente em grande medida perdida para sempre.

REFERÊNCIA:
J.C. Rando, H. Pieper, Storrs L. Olson, F. Pereira e J.A. Alcover. A new extinct species of large bullfinch (Aves: Fringillidae: Pyrrhula) from Graciosa Island (Azores, North Atlantic Ocean). Zootaxa 4282 (3): 567–583.




19/01/2017

Abates de gaivotas sem necessidade de autorização


A Gaivota-dos-Açores (Larus michahellis atlantis), uma subespécie endémica de gaivota do nosso arquipélago, pode ser abatida legalmente sem necessidade de autorização por parte de aterros e aeroportos!


Segundo declarações do Director Regional do Ambiente,"as entidades gestoras destas infraestruturas podem fazer controlos selectivos das populações de gaivota e o abate é permitido com recurso a arma de fogo, sem necessidade de autorização".

No entanto, segundo a Inspeção Regional, não são permitidos “métodos não selectivos, como é o caso de envenenamento, que comportam riscos biológicos e introdução em cadeias alimentares e riscos de saúde pública, entre outros". Esta prática é considerada uma contra-ordenação ambiental grave. Por causa disso, a Associação de Municípios de São Miguel, que recentemente envenenou gaivotas com iscos com pentobarbital sódico, vai sofrer agora um processo de contra-ordenação que pode culminar com coimas que vão dos 12 aos 216 mil euros.



(Fonte: Correio dos Açores, 19 de Janeiro de 2017)